Indicadores sociais de Goiás

IBGE faz retrato da realidade social do País e, no que concerne a Goiás, mostra que o Estado, de modo geral, tem dados comparativamente positivos, mas está aquém da média nacional na rede de esgoto implantada.

Dos 7,39 milhões de goianos, 1,3% está na linha de extrema pobreza e 18,4%, de pobreza, aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última edição da Síntese de Indicadores Sociais – uma análise das condições de vida da população brasileira, publicada em dezembro. Os dados são de 2023.

A extrema pobreza em Goiás é a segunda menor do País, atrás apenas da verificada no Rio Grande do Sul. Já a pobreza entre os goianos é a sétima menor — as mais altas são dos estados do Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em números absolutos, Goiás tem 1,35 milhão de pessoas na linha da pobreza.

Os números estaduais vêm melhorando: em relação a 2022, o total de goianos na linha da extrema pobreza caiu pela metade, e o total na linha da pobreza caiu quase 20%. Essa melhoria também ocorre no País como um todo. O ano de 2023, que registrou 27 brasileiros a cada 100 na linha na pobreza, foi o melhor resultado desde 2012.

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Como ressalta o IBGE, não há uma linha oficial de pobreza no Brasil; portanto, os indicadores acima são os adotados pelo Banco Mundial, que equivalem a R$ 208 mensais na cotação atual em termos de paridade de poder de compra para extrema pobreza e a R$ 662 para a pobreza.

Publicada anualmente pelo IBGE, a Síntese de Indicadores Sociais aborda estrutura econômica e mercado de trabalho; padrão de vida e distribuição de rendimentos; condições de moradia; educação; condições de saúde; e condições de vida segundo estratos geográficos.

Os temas da síntese são desdobrados em várias tabelas (acessíveis na íntegra aqui) e com detalhamentos, inclusive com o total de médicos de diferentes especialidades por habitante.

Alfabetização e estudo

Um dos indicadores da educação verificado é a proporção de pessoas de 18 a 29 anos de idade ou mais com, no mínimo 12 anos de estudo, caso de 75 a cada 100 goianos na faixa etária avaliada, alcançando o quinto melhor resultado nacional. No Brasil como um todo, a proporção é de 73 em 100, e, em São Paulo e no Distrito Federal, alcança 82 a cada 100.

No Legislativo goiano, o deputado Antônio Gomide (PT) busca contribuir para o aumento dos anos de ensino com projeto de lei que institui a Semana de Incentivo ao Acesso ao Ensino Superior (processo no 9975/24). A proposta é de que, durante essa semana, ocorram seminários, palestras e encontros para expor aos estudantes as vantagens da continuação dos estudos, visando à qualificação para melhores posições no mercado de trabalho e condições de vida.

Reforçando esse estímulo, o deputado estabelece também, entre outras medidas, que devem ser apresentados aos estudantes as “diversas modalidades de financiamento estudantil, públicos e privados, disponíveis para o ingresso e manutenção dos estudos no ensino superior, bem como esclarecimentos sobre as bolsas de estudo destinadas a este fim”.

Outro indicador que consta na síntese do IBGE é o analfabetismo, avaliado entre quem tem 15 anos ou mais. Em Goiás, a proporção de não alfabetizados era de 4,0% em 2023, sétimo melhor índice do País. Nesse aspecto, persiste uma grande desigualdade regional no Brasil, com nove estados nortistas e nordestinos ainda apresentando índices superiores a 10%.

Saiba mais aqui sobre os indicadores de analfabetismo em Goiás e as iniciativas estaduais para reduzi-los. Uma das propostas recentes que podem ajudar a combater o problema é a do deputado José Machado (PSDB), processo nº 1662/25, que assegura às pessoas idosas a prioridade de matrícula nas escolas da rede pública estadual de ensino que ofereçam a Educação de Jovens Adultos (EJA). O projeto ampliaria a alfabetização, porque a taxa de não alfabetizados é particularmente alta entre os idosos, alcançando 20% tanto em Goiás quanto no País.

Além da alfabetização, a iniciativa pode, ao promover a educação dos idosos, trazer a eles benefícios, como “estímulo cognitivo, prevenindo a perda de memória e outras funções cerebrais; aumento da autonomia e independência; melhoria da socialização e combate ao isolamento social; elevação da autoestima e autoconfiança; promoção da saúde física e mental”, ressalta Machado na justificativa da proposição.

Desemprego 

Outra série de indicadores relevantes da síntese do IBGE é a taxa de desocupação das pessoas de 14 anos de idade ou mais segmentada por regiões de cada Estado. Em 2023, Goiás teve uma taxa de 5,8% de desocupação, décima menor do País e abaixo da verificada no País como um todo (7,8%).

Os indicadores, porém, variam bastante entre regiões, com pico de 10,7% de desocupação na região integrada de Brasília. Em Goiás, metade disso ou menos no restante do território goiano: 5,4% no Centro-Oeste de Goiás; 5,3% na Região Metropolitana de Goiânia; 4,8% em Goiânia; 4,2% no Norte de Goiás; e 4,0% no Sul.

Entre os projetos parlamentares voltados ao aumento dos índices de ocupação, há propostas de políticas estaduais de primeiro emprego ou empregabilidade para jovens; enfermeiros, técnicos e auxiliares; profissionais de saúde em geral; população trans; e pessoas com deficiência. Todas essas matérias podem ser acessadas nesta lista.

Direito à comunicação

A proporção de pessoas vivendo em domicílios com acesso à internet, vinculado ao direito à comunicação, é de 95,7% em Goiás, terceiro melhor índice entre as unidades da Federação.

Projetos em trâmite no Legislativo goiano almejam tanto aumentar a cobertura da internet quanto a qualidade da navegação. Mauro Rubem (PT), por exemplo, propõe alterar a Lei Complementar nº 139, de 22 de janeiro de 2018, para incluir nela a garantia de cobertura de internet móvel 4G em toda a Região Metropolitana de Goiânia (processo no 3210/25).

José Machado (PSDB), por sua vez, planeja garantir que as empresas prestadoras de serviços de internet apresentem ao consumidor, na fatura mensal, gráficos que informem a velocidade diária média de envio e recebimento de dados entregue no mês (no 26071/24).

Recursos e saúde

O IBGE também destacou, na pesquisa, o porcentual de domicílios com máquina de lavar, explicando tratar-se de um “importante bem durável que auxilia nas tarefas domésticas, muitas vezes relegadas às mulheres”. No País como um todo, 71 a cada 100 domicílios têm esse bem, e em Goiás, 81 a cada 100, décimo resultado mais alto entre as Unidades da Federação (UFs).

O instituto também destacou o número de tomógrafos por 100 mil habitantes, indicador em que Goiás é de pouco mais de quatro por 100 mil habitantes e ficou em terceiro no País.

Como ressalta o instituto, o tomógrafo é “um equipamento importante para diagnosticar e auxiliar no tratamento de uma série de doenças e condições de saúde, como acidentes vasculares cerebrais, aneurismas, pneumonias, neoplasias, entre outros”.

Parte das emendas impositivas dos deputados estaduais é obrigatoriamente direcionada à saúde, resultando em melhorias para hospitais públicos. Isso pode ocorrer com verbas do Legislativo devolvidas ao Governo Estadual. A devolução do duodécimo da Assembleia resultou, por exemplo, em aquisição de tomógrafo pela Santa Casa de Anápolis.

Esgotamento sanitário

Outro indicador verificado foi o de pessoas vivendo em domicílios com esgotamento por rede coletora ou pluvial, parte do direito à moradia adequada. Diferentemente do que ocorre com a maioria dos indicadores; nesse caso, Goiás fica aquém do resultado nacional, com esgotamento por rede coletora ou pluvial em 59 a cada 100 domicílios ante 68 a cada 100 no País.

Destacam-se, na atual Legislatura, 24 requerimentos de parlamentares referentes à rede de esgoto, em quase todos os casos solicitando a implantação do benefício em determinado bairro. Os requerimentos formalizam essa demanda às respectivas prefeituras e provocam os poderes municipais a agirem, embora não gerem a obrigatoriedade de ação.

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