Movimento livre em creches promove desenvolvimento de bebês, aponta estudo

Pesquisa baseada na abordagem Pikler destaca a importância da liberdade de movimentação para experiências espaciais significativas na primeira infância

Permitir que bebês se movimentem livremente pela creche é essencial para o seu desenvolvimento na primeira infância. É o que aponta um estudo publicado na revista científica “Educação e Pesquisa”, que analisou os benefícios da abordagem Pikler em uma creche de Porto Alegre.

Desenvolvida pela pediatra húngara Emmi Pikler em 1946, a abordagem Pikler prioriza a autonomia e a liberdade de movimentação dos bebês, criando um ambiente seguro e estimulante para que eles explorem o espaço e desenvolvam suas habilidades motoras e cognitivas.

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“Muitas creches restringem a circulação de bebês por precaução, mas, na perspectiva desta abordagem, há a promoção de espaços, tempos e materiais e o acompanhamento do adulto para que os bebês possam se movimentar e fazer escolhas”, explica Rodrigo Saballa de Carvalho, orientador do estudo e pesquisador da UFRGS.

Na abordagem Pikler, os bebês são reconhecidos como sujeitos ativos e competentes desde o nascimento, e o papel dos adultos é observar, facilitar e prover um ambiente seguro e estimulante.

Resultados da pesquisa:

O estudo, que acompanhou oito bebês com idades entre 4 meses e 1 ano e 5 meses em uma creche que utiliza a abordagem Pikler, observou que a liberdade de movimentação proporcionou:

  • Melhor desenvolvimento motor;
  • Maior interação entre os bebês;
  • Maior exploração do ambiente.

Outras abordagens pedagógicas

Além da abordagem Pikler, existem outras metodologias que incentivam o desenvolvimento infantil, como:

  • Pedagogia-em-Participação (Portugal): promove a participação ativa das crianças.
  • High Scope (Estados Unidos): foca em atividades planejadas e aprendizagem ativa.
  • Reggio Emilia (Itália): valoriza a expressão artística.
  • Movimento da Escola Moderna (Portugal): incentiva a colaboração e a autonomia.
  • Brincar heurístico (Inglaterra e Brasil): exploração do mundo através de objetos do cotidiano.

Desafios e perspectivas

O grande desafio para a adoção de abordagens pedagógicas como a Pikler é a formação adequada dos professores. “Em muitos casos, os bebês não são reconhecidos como sujeitos de direitos”, reflete Carvalho. No entanto, ele defende que a abordagem Pikler pode inspirar as práticas em instituições públicas, mesmo com suas limitações.

Confira a pesquisa na íntegra

DOI: https://www.scielo.br/j/ep/a/KFBSRYqrb6VYzRGtmxtYLMf/?lang=pt

Com informações da Agência Bori

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