Livro publicado pela Editora Appris propõe uma leitura crítica e fundamentada sobre um dos períodos mais polêmicos do Brasil
No dia 31 de março de 1964, o Brasil assistia à queda do presidente João Goulart e ao início de um regime militar que perdurou até 1985. Sessenta e um anos depois, a data ainda desperta debates acalorados e interpretações conflitantes. Para aprofundar essa discussão com rigor técnico e linguagem acessível, o militar de carreira Juan Martinez Bender lança o livro “O que você ainda não sabe sobre 1964: ideologia & polarização na Guerra Fria do Brasil” (Editora Appris). A obra propõe uma análise crítica e fundamentada, sem se esquivar das violências cometidas por ambos os lados do conflito, além de traçar paralelos entre o período militar e acontecimentos recentes, como o 8 de janeiro de 2023. Aberto ao público, o lançamento acontece no dia 12 de abril, das 17h30 às 20h30, na Livraria da Vila do Shopping Iguatemi Brasília, com entrada gratuita.
Nos últimos anos, o debate sobre a ditadura voltou ao centro das discussões políticas. Durante suas pesquisas, Bender se deparou com episódios surpreendentes que desafiam narrativas consolidadas. “Embora tenha começado como uma busca pessoal, a pesquisa rapidamente se expandiu, o que exigiu confrontar os distintos discursos sobre golpe, contragolpe, ditadura, regime militar, revolução e contrarrevolução. Esse percurso trouxe à tona questões fora do escopo inicial, como as divergências sobre o papel constitucional das Forças Armadas ao longo da República. Para evitar reducionismos, optei por um recorte que privilegia informações frequentemente preteridas no debate público, ampliando as perspectivas sobre o período”, explica.
Pós-graduado em Filosofia, História e Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), o autor propõe uma abordagem que ultrapassa as leituras convencionais, posicionando 1964 em um contexto de Guerra Fria no Brasil. Para dialogar tanto com o público acadêmico quanto com leitores interessados em compreender os bastidores desse período, o livro levanta questões como o fenômeno da intervenção militar e como ele surge e se justifica, se a ameaça comunista foi real ou fruto de conspiração, se a luta armada de esquerda foi causa ou consequência da ditadura e como as interpretações sobre 1964 influenciam a política atual. “De muitas formas, o Brasil contemporâneo ainda é um desdobramento de 1964. É um passado em constante disputa”, conta.
Bender é formado em História e explica que a motivação para escrever o livro veio do desejo de confrontar visões simplificadas ou polarizadas sobre 1964. “Alguns episódios foram decisivos nesse caminho, entre eles meu alistamento no serviço militar obrigatório, que me surpreendeu pelo contraste entre a imagem que eu tinha e a realidade que encontrei. Mais tarde, ao ingressar na carreira militar por concurso e, posteriormente, na graduação em História, o interesse pela História Militar tornou-se um desdobramento natural desse percurso. Meu propósito não é substituir, mas ampliar o debate. Se a história recente ainda desperta paixões, é porque suas consequências permanecem presentes. Convido o leitor a ir além dos discursos prontos e a se aprofundar na complexidade dos fatos”, afirma.